O Brasil voltou pra rua

18 Jun

 

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Este texto é um registro da forma como eu vejo um dos momentos que farão parte da história de um novo Brasil.

Depois de mais de 20 anos de silêncio, os Brasileiros voltam pras ruas para protestar, para conclamar os seus direitos, para lutar por mais justiça. Uma mobilização e uma força que eu, e muitos outros jovens, nunca tinha visto acontecer.

Mesmo pra quem participou desde o início, ou buscou manter-se informado nas ultimas semanas, foi quase impossível prever o que estava por vir.

Começou com uma manifestação bem sucedida contra o aumento arbitrário das passagens de ônibus em Porto Alegre. São Paulo decidiu seguir o exemplo, organizou-se e foi para as ruas protestar contra o aumento logo na semana em que começava a Copa das Confederações no Brasil. A polícia desceu o cacete nos manifestantes, transformando-os em mártires e símbolos de toda a injustiça a qual os cidadãos estão submetidos hoje. Formou-se uma dualidade clara entre os Poderes do Brasil (armados e opressores) e os Brasileiros (idealistas e persistentes).

E aí deixou de ser apenas pela causa das passagens.

Passou a ser uma luta contra o Poder. Uma oportunidade de colocar pra fora uma indignação reprimida pelo comodismo e pelo clima de otimismo, de crescimento e ufanismo que estampavam as notícias, os discursos e as propagandas.

E aí deixou de ser um problema de alguns e passou a ser um problema de todos. Afinal, quem não está cansado de ser roubado com uma das maiores cargas tributária  do mundo, consumida pela corrupção do governo e que não oferece o mínimo de assistência que nos é de direito? Ainda mais em um momento em que milhões, ou bilhões, são gastos para trazer uma Copa para o Brasil.

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O sentimento é de revolta mas também é de esperança. 

A luta ganhou força e importância. A mídia que falava em “baderneiros” e “vândalos” há uma semana hoje cobre os “manifestos” com boletins de hora em hora. Eles mudaram de discurso, pois a internet mostrou o que a mídia escondeu. Não deu mais pra esconder.  

Porém, são tantas as reivindicações que o meu medo é de que o movimento se esvazie. Afinal, que resultado queremos como Brasileiros?

 

Mas, mesmo que nada aconteça agora. Mesmo que a conquista seja de apenas R$ 0,20, tudo já valeu a pena.

 

Ao menos aprendemos uma lição de que temos, sim, força. De que podemos lutar pelos nossos direitos e que democracia não se exerce apenas nas urnas.

 

Que orgulho disto tudo!

 

NRF 2012

30 Jan

Já passou alguns dias desde o final do evento, mas só agora tirei um tempo para ver o que rolou no NRF 2012. Para quem ainda não conhece, o NRF é o maior evento sobre varejo do mundo, que acontece anualmente no mês de Janeiro em Nova York, fomentando discussões e apresentando inovações e cases de sucesso na área.

Nas leituras que fiz sobre o que rolou neste ano, não vi nada que soasse muito diferente do que foi falado no ano passado. A dobradinha Tecnologia + Foco no consumidor continua sendo a grande promessa para o futuro do varejo mundial.

Encontrei no blog do No Varejo um bom resumo das tendências comentadas durante o evento. De forma resumida, falou-se muito sobre um novo formato de canal de vendas, o Ominichannel, em que não há diferença entre o real e o virtual, pois a experiência do consumidor se dará com a marca e não com seus canais de venda. Na figura abaixo, retirada do Mobile Blueprint de 2011, explica bem este conceito de relacionamento entre os canais de venda e deixa claro que ainda estamos a léguas de distância do Ominichannel.

 

 

Mesmo estando distante do Omnichannel, a tendência do varejo é que cada vez mais a loja física deixe de ser o ponto principal de venda e que comece a agregar mais tecnologia para continuar sendo atrativa para os consumidores, já que os demais canais de venda ganham seu espaço. A tecnologia vai permear o varejo não apenas com gadjets que facilitem o processo de compras, mas também em formatos que ampliem o relacionamento da marca com o consumidor, como no caso da criação de CRMs mais eficientes, ao ponto de ser capaz de identificar o perfil dos consumidores que entram nas lojas e adaptar real time a experiência e o atendimento para cada cliente. Uma reportagem no Zero Hora sugere novas tecnologias que devem fazer parte do nosso varejo.

 

 

Enfim, neste ano não foi falado nada que já não tenha sido dito no ano passado. Vide o post do último ano.

 

A pesar de todos estes relatórios que mostram a tecnologia como a salvadora da pátria – e do varejo- ao entrarmos em uma loja temos a sensação de ter sido tele transportados para os anos 1980. Nada mudou no formato do varejo desde então. E as mudanças, das quais tanto se falou nos últimos NRFs, se estão realmente acontecendo, são tão sutis que não permitem entusiasmo. As grandes redes de varejo no Brasil, que foram elogiadas por sua força e eficiência durante o evento em NY,  estão perdendo a oportunidade de serem pioneiras nesta revolução tecnológica e humana do varejo.

 

Estou procurando exemplos brasileiros que são precursores destas tendências para um próximo post.

Aceito sugestões.

As tendências para 2011 estavam certas?

9 Jan

 

Já está circulando por aí a edição 2012 do “100 Things to Watch” da JWT, um material que costuma acertar em cheio quais serão os assuntos mais comentados durante o ano.

Mas, antes de nos debruçarmos sobre a versão 2012, que tal dar uma olhada na edição do ano passado e avaliar o que nós realmente vimos em 2011 e o que ainda não aconteceu? Selecionei 15 das 100 previsões divulgadas pela JWT para fazer uma análise superficial do que aconteceu e do que não aconteceu em 2011. Nota-se que essa análise é unicamente baseada no meu ponto de vista e nas referências que tenho colhido por aí. Então, sintam-se livres para discordar.

Parece que muita coisa realmente aconteceu. Mas ainda estamos esperando muita coisa acontecer. Principalmente no que tange a tecnologias mais caras e em movimentos de “contracultura” digital, podemos dizer que ainda não temos grande adesão no Brasil.

E enfim, vamos para a cereja do bolo. As 100 coisas para observar em 2012. Anotem bem as principais promessas para em 2013 avaliarmos se elas marcaram a história deste ano, ou não.

 

Top Listas 2011

26 Dec

Eu adoro este clima de ano novo. Gosto também do saudosismo do ano velho, das retrospectivas, avaliações e análises sobre os fatos que marcaram o ano que despontam de todos os lados.

Por isso organizei um post, pelo segundo ano consecutivo, compilando as principais listas divulgadas com o melhor de 2011.

Enjoy.

 

TOP1: MELHORES COMERCIAIS DE 2011

Para mim, esta é a lista mais inspiradora de todas. Contém os melhores comerciais de TV do ano. Vídeos, fofos, bem escritos, bem filmados, que emocionam e constroem marcas fortes. Achei legal observar que todos os melhores vídeos do ano se baseiam em um bom storytelling completamente conectados com a marca e os produtos.

——> http://bit.ly/upVRbW

 

TOP2: COMERCIAIS MAIS COMPARTILHADOS 2011

Uma lista com os vídeos comerciais mais compartilhados do mundo. O “Pôneis Malditos”, da Nissan, aparece em 9º lugar, considerando que a audiência foi mundial. Vale ressaltar que são vídeos diversos, que vão do humor às ações de rua, até as super produções e apelos emocionais. Realmente impossível de desenhar a receita do sucesso a partir desta lista.

——> http://bit.ly/t06YpZ

 

TOP3: OS MEMES DA INTERNET BRASILEIRA

Essa lista é genial. Considera todos os memes que circularam de timeline em timeline até se tornarem os mais vistos do ano no Brasil. Aqui sim podemos ver uma receitinha básica: o bizarro, o inusitado e o nonsense está sempre presente. Interessante observar que apenas o vídeo da Nissan é comercial nesta lista, todos os demais são user made.

——> http://bit.ly/rMavjF

A Globo editou uma versão que a Sandra Annemberg, autora do meme “Que Deselegante”, apresenta os mais vistos do ano.

——> http://glo.bo/sjzdkP

 

TOP4: OS MEMES DA INTERNET MUNDIAL

Divulgado pelo Youtube, estes são os vídeos mais vistos na internet mundial, considerando todas as categorias. É interessante observar que os vídeos mais vistos no mundo são grandes produções, vídeos de artistas e de marcas. Até o líder de compartilhamento, Friday, que foi considerado Bizarro por muitos, tem uma ótima produção de vídeo.

——> http://bit.ly/u5PjWH

 

TOP 5: GOOGLE ZEITGEIST

Este ano o Google inovou para apresentar o seu tradicional Zeitgeist. Ao invés de publicar a listinha com os mais mais de 2011, editou um vídeo muito bacana com os fatos que marcaram o ano no mundo.

——> http://youtu.be/SAIEamakLoY

 

TOP 6: MEMOLOGY FACEBOOK

O Memology do Facebook não traz grandes novidades: estão no topo da lista fatores de grande impacto na imprensa mundial, como a morte de Osama, da Amy Winehouse e o furação Irene e também acontecimentos do mundo pop como a saída do Charlie Sheen e o lançamento do novo Call Of Duty. Olhando a lista do ano passado, vi que estavam no topo assuntos mais ligados ao relacionamento interpessoal, como o “Hit me Up”, “movies” e “games”. Assim, dá pra se ter uma noção clara que o Face estacada vez mais roubando o espaço do Twitter como veículo de notícias quentinhas.

——> http://on.fb.me/spssaf

 

TOP 7: HOT TOPIC

Os Hot Topics do Twitter também não trouxeram nenhuma novidade este ano. Por isso estão por último na minha seleção de Top Listas. Mas, a título de conhecimento, vale dar uma olhada no que foi mais comentado na rede dividido por categorias. Na maioria das categorias podemos ver que o que passa na TV é ainda a grande pauta dos Twitteiros.

——> http://bit.ly/s8LJrK

 

Então é isso. Curtiram?

Para quem quiser comparar, o melhor de 2010 está aqui: http://bit.ly/fMwn1q

Macro Tendências 2012

14 Dec

Com o fim do ano se aproximando, mais e mais consultorias começam a divulgar seus relatórios para 2012. Dando uma olhada nos materiais encontrei alguns pontos comuns nas tendências de diferentes institutos, que indicam a existência de uma macro tendência por trás. Organizei estas tendências em 5 macro tendências que vão guiar os próximos anos.

Novamente, perdoem meu péssimo hábito de escrever demais.

1. FAZER MAIS COM MENOS:

A instabilidade econômica mundial está levando os consumidores a repensar a forma como utilizam seu dinheiro. Deixar de consumir está fora de cogitação, o que eles querem agora é consumir de forma inteligente. Dentro desta macro-tendência podemos observar:

- Dealer Chic: a busca por pechinchas e ofertas passará a ser mais admirada por outros consumidores, além de ser motivo de status.

- Explosão de compras coletivas;

- Pequenas indulgências de baixo custo no dia-a-dia: cerveja, doces.

- Marcas lançando produtos em diferentes formatos reduzidos para possibilitar o consumo de todos. Ex: A marca Heinz, nos Estados Unidos, está introduzindo vários tamanhos de seus produtos a um preço sugerido de U$$ 99 centavos.

2. SALVE O MEIO AMBIENTE, E O CONSUMO.

Os consumidores e marcas passaram a compreender a importância de criar novas soluções para preservar o meio ambiente, contudo, sem frear os desejos de consumo. Isso pode ser feito através de:

- Recomércio: Os consumidores sempre revenderam bens grandes e duráveis como carros e casas, mas, em 2012, quase tudo está pronto para ser revendido, de aparelhos eletrônicos a roupas, e até experiências.

- Eco-cycology: marcas que ajudam os consumidores a reciclar ao recolher peças antigas  e transformá-las em objetos novos. Ex: Dell Reconect.

- Alimentação Consciente: O impacto ambiental de nossas escolhas alimentares vai se tornar uma preocupação mais proeminente na medida em que marcas, governo e organizações ativistas aumentem a conscientização em torno da questão e repensem como a comida é feita e vendida. Ex: Sainsburry Switch the Fish.

3. NOVOS COSTUMES

A nova realidade está mudando simultaneamente os costumes de diversas gerações e países, reorganizando os estereótipos. Novos perfis e costumes aparecem com força no cenário mundial.

- Geração “GO”:  A queda da mentalidade empresarial, o desemprego e a constante insatisfação com o status quo, está transformando a geração yz em empreendedores. Um exemplo disso é o crescente índice de entrevistados nos EUA (25% em 2009 e agora 50% em 2011) que afirmam estarem dispostos a abrir seu próprio negócio caso perdessem seus empregos e /ou tivessem dificuldade em recolocação. No Brasil, 2% dos jovens entre 18 e 24 anos já são empreendedores, mas 30% querem tornar-se.

- Casamento Opcional: Um crescente grupo de mulheres está trilhando uma rota alternativa de vida, na qual o casamento não é um cruzamento obrigatório. Ainda, nessa tendência podemos ver o DINK (Double Income, no Kids), na qual os casais decidem não ter filhos.

- Celebrando o envelhecimento: Com avanços da medicina e mudanças demográficas e culturais, pessoas de todas as idades estão incorporando visões mais otimistas sobre envelhecer.

4. MULTIPLICAÇÃO DAS TELAS

O consumidor está interagindo cada vez mais com telas no seu dia-a-dia: smartphone, smartv, computador, tablet, entre outras novas telas que estão surgindo.. A cultura das telas é menos uma tendência e mais um meio pelo qual muitas das tendências já listadas acontecerão. As telas serão (ainda mais) onipresentes, móveis, baratas, interativas e intuitivas.

- Saúde: Faça Você Mesmo: A ideia do “Faça Você Mesmo” ganhará força na área da no próximo ano, com novos aplicativos, aparelhos e recursos que permitirão autonomia no monitoramento de exercícios, dietas e tratamentos médicos.

- Point & Know: 2012 trará uma mistura de recursos conhecidos como apps, realidade aumentada e códigos QR para dar aos consumidores todo tipo de informação sobre objetos – e até pessoas – do mundo real de modo instantâneo.

- No cash: Deixar o dinheiro vivo de lado para adotar formas rápidas de pagamento ganhará força em 2012. Inicialmente, o atrativo será somente a conveniência, mas com o tempo, os pagamentos móveis poderão gerar históricos de compra, sistema de recompensas e ofertas.

- M-Commerce: Se o consumidor está cada vez mais Mobile, o varejo também precisa estar. A principal plataforma de varejo voltada para o Mobile é o m-commerce, que são lojas virtuais voltadas para os smartphones.

-App-tailing: Dentro da tendência Mobile, o App-tailing surge para extrapolar as definições de compras online/offline. Através de aplicativos voltados para tablets e smartphones o apptailing oferece para os clientes possibilidade de buscar informações online durante as compras offline e vice versa.

5. HUMANIZAÇÃO

Em um mundo tão tecnológico e agitado, o resgate ao que é humano e natural será cada vez mais evidente. Na moda e no design  as coleções vintage fazem cada vez mais sucesso. Outras esferas também surfarão nesta onda. Inclusive as marcas.

Humanização das marcas: Para os consumidores em 2012, as marcas que se comportarem de maneira mais humana, inclusive mostrando suas falhas, serão fantásticas. Para consumidores, ganharão pontos as empresas que souberem admitir seus erros e melhorar atitudes.

Maturialismo emergente: Esta tendência é contra pudores. Os consumidores com experiência e com a cabeça aberta em mercados emergentes tradicionalmente “conservadores” vão adotar campanhas e produtos que sejam sinceros ou até arriscados.

Objetivando os objetos: A substituição de objetos tradicionais por equivalentes digitais está fazendo com que as pessoas criem fetiches sobre o que é físico e tátil.

Contexto Brasil:

Muitas das tendências expostas já são observadas no Brasil. Com a estabilidade econômica, os Brasileiros passarão rapidamente a se integrar na tendência de Multiplicação das Telas, através do consumo de gadjets de conexão mobile.

Para quem tiver interesse em conhecer mais, coloquei no slideshare as apresentações dos institutos em que me baseei para eleger estas macrotendências.

 

 

Social Media no Mundo

4 Oct

Superdica de hoje: vejam esta apresentação sobre Social Media no mundo.

Traz mais do que dados perdidos (como a maioria das apresentações)  fazendo uma análise interessante e correlacionando comportamento de diferentes países.

Muito útil para nos dar mais clareza para sobre as peculiaridades do comportamento do brasileiro nas redes sociais.

 

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E aí, curtiram?

A cultura digital dos Gaúchos

20 Sep

Hoje é o dia da Revolução Farroupilha. Data que relembra a bravura e coragem do povo gaúcho. Como singela homenagem a este dia, estou liberando uma pesquisa sobre o comportamento digital deste povo aguerrido!

Essa pesquisa foi conduzida por mim e serviu de base para meu trabalho de conclusão do curso de Especialização em Branding de Conexão pela PUC-RS.

A amostra é bastante polarizada, portanto, sei que não reflete o comportamento do estado de uma forma completa. Mas, dá para se ter uma ideia bem clara que como está a cultura digital no RS e uma comparação direta entre os hábitos do interior e da capital do estado.

Enfim, espero que estes dados possam ser tão úteis para vocês, como foram para mim. Boa leitura!

Pesquisa gauchos digital

 

Para quem está com preguiça de ver toda a apresentação, coloco aqui os principais aprendizados da pesquisa:

- Não são gritantes as diferenças entre os consumidores da Capital e do Interior do estado. As principais diferenças concentram-se nos hábitos de uso e não no acesso à tecnologia.

- O acesso Mobile ainda não está amplamente difundido e é mais forte na capital.

- A internet é muito importante na vida dos gaúchos, a ponto de quase metade deles afirmar que não consegue viver sem.

- O Facebook é mais forte na capital enquanto o Orkut é mais forte no interior. O Twitter e MSN são fortes em ambos os mercados.

- Compras online estão mais difundidas na capital do que no interior.

- Mais da metade dos entrevistados afirma ser amiga das marcas nas redes sociais e 1/3 afirma distribuir conteúdo gerado pelas marcas nas redes sociais.


The Hybrid Age – O Tesarac está apenas começando

4 Sep

Pode até ser pura ilusão. Mas, mesmo em uma época como esta, em que tudo está mudando o tempo todo, saber onde estamos e para onde vamos é um sentimento no mínimo reconfortante. Por isso, fiquei feliz ao encontrar uma boa definição de como será a próxima “era” histórica. Embora seja mesmo uma ótima definição, infelizmente, as notícias não são. O Tesarac está apenas começando.

Bem vindo à “Hybrid Age”.

The Hybrid Age (A era híbrida, em uma tradução bem livre) está sendo apontada comoo paradigma que está sucedendo a era da informação – que começou nos anos 1970 com o crescimento do computador pessoal, da world wide web, etc. A era da informação acelerou o acesso à tecnologia, a troca de informações e a globalização. Graças a esta era estamos cercados de aparelhos que potencializam nossa capacidade produtiva e de relacionamento.

Porém, na Hybrid Age, a relação entre o homem e a tecnologia será ultra potencializada ao ponto que a própria  natureza desta tecnologia será diferente de tudo que vimos até agora. São 5 os principais fatores que diferenciam a era da informação da era Híbrida: Ubiquidade, Inteligência, Socialização, Integração e Disrupção.

Em outras palavras, na Hybrid Age a tecnologia poderá assumir qualquer formato, será mais inteligente e autônoma, terá mais capacidade social e ligação emocional com os seres humanos, terá maior integração entre as áreas da ciência e sofrerá constantes rupturas que provocarão ainda maiores evoluções tecnológicas e uma eterna sensação de incerteza e necessidade de adaptação.

Ayesha Khanna, membro do The Hybrid Age Institute, descreveu em uma publicação no NYT estes cinco fatores desta nova era, que transcrevo abaixo:

UBIQUIDADE: Os computadores estão cada vez ficando mais poderosos, mais baratos e menores. Logo, computadores minúsculos estarão em todos os objetos de nosso dia a dia, incluindo nossos próprios corpos. A HP estima que até 2015, haverá um trilhão de dispositivos conectados à internet gravando informações constantemente.

Isso me faz lembrar um infográfico que acessei esses dias que mostra a “internet das coisas” que mostra que coisas que já estão, hoje, conectadas à internet supera, de longe, o número de pessoas.

INTELIGÊNCIA: A tecnologia deixará de ser apenas um depósito de informações que necessita de uma mente humana para processá-las. As máquinas serão inteligentes suficiente para coletar e trabalhar as informações de forma independente, expandindo os horizontes do trabalho e do acesso ao conhecimento.

SOCIALIZAÇÃO: Tanto o formato quanto a forma da tecnologia serão antropomórficas. Comandos através de voz e gestos farão a interação das máquinas mais natural, quase humana, criando uma forte ligação emocional entre os humanos e as máquinas.

INTEGRAÇÃO: Ao passo que as áreas da ciência como, neurociência, biologia, matemática e física se unem, elas produzem novas tecnológicas com capacidades inimagináveis, como a biomecânica, por exemplo.

DISRUPÇÃO: A evolução da tecnologia vai acelar a Hybrid Age que trata novos produtos e serviços rapidamento ao acesso da massa. Nesse processo, velhos negócios sofrerão rupção e seremos forçados a criar novos modelos e nos adaptar rapidamente.

A mudanças na natureza da tecnologia, sua geopolítica, acesso e inclusão de bilhões de novos usuários, fará com que a Hybrid Age seja cheia de oportunidades e prosperidade, porém, também será uma era de caos e de incertezas. A sensação que vivemos hoje de não saber o que está por vir e a eterna necessidade de conhecimento e adaptação é apenas um sinal que a Hybrid Age já chegou. Para ficar.

Para saber mais:

http://poptech.org/blog/thinking_ahead_the_hybrid_age

http://bigthink.com/ideas/38340

http://vimeo.com/24174538

A Internet Natural

16 Jun

Hoje aconteceu o evento Break Digital, na RBS. O palestrante, Edmar Bulla, era um cara bem foda. Confesso que até então eu nunca tinha ouvido falar dele, mas fiquei muito bem impressionada por seu currículo. Afinal, nomes como Harvard, WPP, Nokia e PepsiCo, sempre impressionam, não é?

Como já é de praxe em eventos que falam sobre a “nova realidade digital”, no Break Digital da RBS não foi dito nada de novo, nada de surpreendente. Mas a forma como foi dito, as analogias utilizadas para explicar nosso novo contexto foram bastante inspiradoras.

Perdoem meu péssimo habito de escrever demais. Mas quero compartilhar absolutamente tudo que ouvi hoje, para que vocês tenham insights tão ricos quanto os que eu tive.

 

INSIGHTS SOBRE O CONTEXTO QUE VIVEMOS

- A INTERNET TRANSFORMOU OS CONSUMIDORES EM PESSOAS.  É legal pensar na teoria do Consumer Centricity deste jeito, não é? Não é apenas uma questão de sair por aí declarando que “o consumidor está no poder”, como muito se tem visto por aí. Mas sim, de admitir que este consumidor é uma pessoa, com desejos, sonhos, vontades e que querem ser tradas como pessoas pelas marcas. Só isso.

- SUA MARCA NÃO É SUA. ELA É DO CONSUMIDOR. Desapegue-se das marcas. Elas não são propriedade das empresas. Se hoje falamos tanto em co-criação, em engajamento e em pesquisas de tendências, é porque, na verdade, quem manda hoje nas empresas são os consumidores. Aceite isso. Faça bom uso disto. E, se tiver dúvidas, pergunte ao consumidor.

- O MUNDO É DO ENTRETENIMENTO DE BAIXO CUSTO. Juro que eu ainda não tinha me dado conta disto. O consumidor quer entretenimento de baixo custo, as marcas precisam fornecer. As agências precisam aceitar. O mundo das mega produções está perdendo sua força. O que vale é a simplicidade, e a diversão.

- SE A INTERNET É NATURAL PARA AS PESSOAS, ELA TAMBÉM PRECISA SER PARA AS MARCAS! Elementar, caro Watson! Nós não temos tempo de complicar. Se estamos atrasado para a mudança, porque precisamos ficar encaixotando tudo, enrolando cada vidrinho para não quebrar? Porque não levamos só o que é mais importante?

- MOBILE É TUDO. Este foi um dado novo para mim. O próximo bilhão de pessoas que entrarão na web vai cair direto em uma experiência móbile. Em 2013 o numero de mobile phones vai ultrapassar os PCs. Isso mesmo, daqui a 2 anos.

INSIGHTS SOBRE AS MUDANÇAS QUE ESTÃO ACONTECENTO

1) Digital é questão de sustentabilidade financeira para as marcas. E aqui tem uma coisa importante:  Pode ser que no ano que vem, o Facebook e o Twitter já tenham morrido. Então, o que importa não é a ferramenta, é o engajamento. O propósito de um negócio é criar um consumidor (que crie novos consumidores para você).

2) Existem 4 pilares da mudança organizacional: Comportamento (veja quem está disposto), Educação (treine-os) Recursos (forneça ferramentas), Processos (defina papéis). Agora é só fazer.

3) As empresas precisam adotar um novo modelo de negócio focado em serviços e conteúdo.

4) Precisamos de mais fluidez na comunicação: experiência fluida, conteúdo fluido, interface fluida e transações fluidas.

5) Foco. Se o consumidor tem muito mais informação e muito mais conteúdo hoje, significa que ele tem mais critérios de escolha. Tenha foco nos seus pontos fortes.

6) Ainda precisamos falar que tudo tem que ser real-time? Se precisa, está dito: informação TEM QUE SER REAL TIME.

7) Todo briefing precisa de apenas duas metas. Uma de negócio e outra de comunicação. Não sobrecarregue sua equipe com uma lista interminável.

ESCOLHA UMA DESTAS AÇÕES E COLOQUE EM PRÁTICA HOJE

1)  BRAND (DIGITAL) ASSESSMENT – Faça um planejamento da sua marca, com diagnóstico, objetivos quali e quanti e planeje corretamente os recursos necessários. Faça um Forecast e tenha clareza de onde você quer chegar.

2) NOVO PROCESSO DE BRIEFING – Não existe essa coisa de fazer um briefing para agência off, uma pra on, outro para BTL. Precisa  ser um briefing só. Se uma empresa tem uma expertise, porque ela não atua como uma “gerente” daquela área, mas de uma forma que as outras agências também possam contribuir?

Antes, as agências precisavam ter uma Puta Ideia. Hoje, o que vale é uma ideia puta. A que serve para todos os meios e canais.

3) CONSUMER ENGAGEMENT – Isso não tem nada haver com ter uma causa e fazer com que seus consumidores a defendam. Isso tem haver com integrar a simplicidade da informação, com a integração das mídias que você utiliza para falar com o consumidor.

4) RESPEITE O CÓDIGO CULTURAL – Teve uma ideia? Então faça a si mesmo estas quatro perguntas. Se você conseguir 4 sim, sua ideia será um sucesso.

a) Está compartilhando um interesse real?

b) Está sendo útil?

c) Tem relevância cultural?

d) Está atuando no seu corebusiness?

6) ESTRATÉGIA MOBILE. Não precisa complicar. Vai lá e faz uma versão mobile. Deu. Só isso. Começa pelo básico, não complica.

7) TROQUE O SEU MINDSET – Pare de achar que digital é tático. Não! É estratégico. Muito estratégico.

8) SEMPRE SE FAÇA A PERGUNTA: O que queremos resolver e como o digital pode ajudar?

9) O CONSUMIDOR NÃO VÊ BARREIRAS ENTRE O ON/OFF. Quando você vai parar de ver?

10) ELIMINE OS SILOS. Porque ser departamentalizados? Porque não reunir as idéias?

11) ENTENDA QUE MÍDIA É UM MEIO. Mídia, não é um fim.

12) SEJA UMA MARCA VIVA. Crie um mood da sua marca para lhe orientar como sua marca deve comportar-se nos mais diversos meios. Mas permita que este comportamento seja vivo, natural, e não truncado.

13) LIDERE UM BETA MIND SET: Estimule que sua equipe esteja sempre experimentando algo novo.

14) APRENDA E COMPARTILHE.Não tente guardar as informação para você. As “Best practices” são ótimas, mas as “worst practices” são ainda mais úteis.

15) CRIE MÉTRICAS ESTRATÉGICAS. Achei ótimo isso. Não se concentre no número de seguidores. Crie métricas estratégicas, sejam elas de negócios, ou de engajamento. Saiba quais são os sinais reais de que sua estratégia está dando certo.

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Pequenos interesseiros

14 Apr

 Esta semana recebi uma pesquisa que me fez sentir uma certa pena das marcas que querem se relacionar com o público jovem nas redes sociais. Tanto esforço para gerar conteúdo relevante, tantas estratégias para conquistar seguidores que é triste saber que os fãs conquistados não querem nenhum “engajamento” com a marca. Os consumidores jovens são pra lá de interesseiros.

Ao menos, é isso que diz a pesquisa da Forrester “Compreendendo o Complexo Comportamento Digital dos Jovens Consumidores” (em tradução livre).

O jovem dos 12 aos 17 anos vive online. Estão online na escola, em casa, no transito, no vídeo game, com os amigos através de computadores ou celulares. Metade dos jovens nesta faixa etária possui internet em seus celulares e quase um terço tem o hábito acessar a web mobile ao menos uma vez ao dia.

Mas, muito embora eles estejam tão conectados, os jovens estão muito menos dispostos a produzir conteúdo online. É uma relação quase parasitária, sem contribuição. Apenas 32% dos jovens dos 12 a 17 anos são criadores de conteúdo, mas 62% desde mesmo grupo é classificado com “conversadores”. Isso significa que, mesmo não sendo blogueiros assíduos, os jovens se relacionam muito com amigos via Twitter e Facebook. Legal observar este gráfico que classifica os jovens segundo seu comportamento digital.

Mas, toda esta presença digital não se traduz necessariamente em relacionamento com as marcas. Os jovens querem conversar com os amigos, não com as marcas. Apenas 6% dos jovens nesta faixa etária querem ser amigos das marcas nas redes sociais, pois sentem que isto é “forçar a barra” em uma interação social. Como não bastasse isto, ainda por cima, eles não acreditam na comunicação postada pelas marcas via redes sociais. A fonte mais confiável, para ele, ainda é o Google e, na seqüência, a TV. Até os sites das empresas são mais confiáveis que seus perfis em redes sociais.

Mas, então devemos nos recolher à nossa insignificância e nos retirar das redes sociais?

Não.

Mais da metade dos jovens querem que a sua marca esteja nas redes sociais para quando eles precisarem. 28% esperam que as marcas escutem o que eles dizem nas redes sociais e respondam suas queixas e perguntas. Outros 25% esperam que as marcas lhe dêem desconto por se relacionar com elas  nas redes sociais, e 15% querem que as marcas lhe perguntem a opinião sobre seus produtos.

É. A promiscuidade das estratégias das marcas para conseguir engajamento como “Nos siga e ganhe”, “RT e concorra”, etc, acabou gerando criando uma geração que se acostumou a ver a web como uma forma “fácil” de reclamar, e obter vantagens brindes e participar de promoções com pouco esforço. Criamos monstrinhos à Tody… Se antes já era trabalhoso estar nas redes sociais, agora vai dar muito mais trabalho conseguir o tão sonhado engajamento.

Sad. But true.

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